BBB: 1984 EM SUA FORMA ANTIDESMISTIFICADORA

Há muito, a indústria cultural subverte a arte em prol do lucro monetário, sem se importar com os receptores do produto, que são transformados em meros números de cálculo para a rentabilidade da próxima “atração”. Exemplo clássico desta apropriação artística é o Big Brother, reality show inspirado em uma das mais influentes distopias criadas no século XX : o romance “1984”.

Embora John De Mol, inventor do programa, tenha dito em entrevista à revista Época que “não há nenhuma relação entre o livro e o programa de TV. A única coincidência é o nome de um personagem que aparece no livro” (2002), as semelhanças são latentes. O benefício que a sociedade recebe das duas obras, entretanto, estão separadas por um enorme abismo intelectual.

No romance, Eric Arthur Blair denunciou, sob o pseudônimo de George Orwell, a mentira, o Estado como aniquilador da Liberdade individual, e a invasão de privacidade rumo ao qual a sociedade caminhava.

Orwell criou uma sociedade onde o mundo é dividido em três superestados que vivem em guerra constante: Oceania, Eurásia e Lestásia. A Oceania é controlada pelo onisciente Partido IngSoc, sob o domínio do ditador Grande Irmão (Big Brother, no original em inglês). Os cidadãos são vigiados através das teletelas – espécie de televisão que recebe e transmite ao mesmo tempo -, e o sistema político é mantido através da opressão, manipulação de fatos históricos e até mesmo da língua, com a criação de um novo idioma, a Novilíngua, que quando finalizada impossibilitaria qualquer forma de expressão contrária ao Partido.

Winston Smith é um funcionário de meia idade do Ministério da Verdade (cujo papel era fabricar a mentira), tem a saúde debilitada e crescentes dúvidas em relação à sociedade em que vive. Vigiado constantemente por espiões da Polícia do Pensamento, câmeras e microfones, aprendera a controlar suas emoções. Agora, porém, tinha vontade de gritar sua indignação frente à opressão pela qual aceitara durante toda sua vida, mas fazer isto seria assinar sua sentença de morte.

Desta forma, a obra de Orwell pretendia iluminar o resultado do mundo que estava sendo construído. Influenciou a criação do filme homônimo; do quadrinho – e depois filme – “V de Vingança”; e do reality show “Big Brother” (começando em 1999 com a versão holandesa, e hoje atinge aproximadamente setenta países).

O Big Brother Brasil é exibido pelos canais da Rede Globo, sob apresentação de Pedro Bial e direção de José Bonifácio de Oliveira, o Boninho. O conteúdo do programa foi classificado como não indicado para menores de 16, e posteriormente reduzido para 14 anos, embora continue com apelo sexual, linguagem imprópria e vazio cultural, apesar do último fator não ser levado em consideração pela censura brasileira. Assim, a única forma de manter-se na grade-horária da emissora, é “procurar o cliente para lhe vender um consentimento total e não crítico” (ADORNO, 1987, p. 289).

Os produtores aparentam fazer a escolha dos participantes baseados em clichês estereotipados, selecionando a maioria com critérios que ressaltam o culto ao físico, “empregados arbitrariamente aqui e ali e completamente definidos pela finalidade que lhes cabe no esquema” (ADORNO, 1985, p. 103). A cada edição, porém, são adicionadas pessoas que representam as minorias, e quase que ironicamente, aqui também são expostas minoritariamente. “Para todos algo está previsto; para que ninguém escape, as distinções são acentuadas e difundidas.” (ADORNO, 1985, p. 101). Entretanto, esta pseudo-inclusão de minorias, assim como no romance, é efêmera, levando rapidamente à exclusão do mesmo: no programa, em forma de “eliminação”; na obra literária, em tortura seguida de morte.

Em “1984” as relações entre os cidadãos ocorrem de forma fria e impessoal: “Não se tinham amigos, tinham-se camaradas; mas havia alguns camaradas cuja companhia era mais agradável que a de outros.” (ORWELL, 1948, p.50). Na “casa” – que mais se assemelha a uma grande academia –, aproximadamente 20 pessoas são reunidas e trancadas por três meses, motivadas pela compensação financeira e exposição da mídia. Neste período, “o desafio não diz respeito à aproximação dos indivíduos e das coletividades, mas ao contrário, à administração de suas diferenças.” (WOLTON, 2003, p.9).

Este confinamento gera intrigas, rápidos romances e amizades superficiais, que tratam-se basicamente de estratégia para chegar ao prêmio final. Durante o processo, nota-se a decadência de valores morais, que pretensamente fazem parte da realidade brasileira, mas são considerados “bobagem” por De Mol (2002). Não fosse pela grande similaridade com a distopia de Orwell – que o programa não deseja mostrar ao grande público –, seria possível afirmar que o show fora inspirado em espetáculos circenses, de forma a perpetuar o status quo.

A televisão, com seu apetite voraz, devoradora de quaisquer formas e gêneros de cultura, tende a diluir e neutralizar todas as distinções geográficas e históricas, adaptando-as a padrões médios de compreensão e absorção. (SANTAELLA, 2003, p.56)

O conteúdo gerado pelos participantes em suas intensas horas de ócio, são vazios baseados em endoxa, e ainda assim, repetidos massivamente na programação dos canais da emissora. Seja nos horários específicos da televisão aberta ou nos adicionais pagos, seus diálogos desestimulantes são exibidos com “breve sequência de intervalos, fácil de memorizar” (ADORNO, 1985, p.103). A excessiva exposição do programa mostra-se como um dos fatores de sua grande popularidade. Qualquer telespectador que esteja disposto a pagar, pode ter acesso às câmeras 24 horas por dia via internet ou pay-per-view. Se preferir, tem à sua disposição o “Big Fone”, para escutar o áudio geral, ou de determinado participante. É a celebração da hiper-realidade.

Não obstante a possibilidade de pagamento, os meios de comunicação “gratuitos” inundam as páginas com notícias irrelevantes sobre os acontecimentos da “casa” durante o fatídico período de veiculação. O ruído, mais uma vez companheiro da agressão organizada, impede que a audiência tome consciência do que consome (MARCUSE, 2000, p.264).

Pedro Bial, o “mestre de cerimônias” que apresenta o programa, embora seja considerado por alguns como a personificação do ditador Grande Irmão, está mais para a versão mercantilizada de O’Brien. Este, na ficção, é alto membro do Partido Interno, e responsável por introduzir Winston às esferas da Fraternidade, cujo objetivo era derrubar o Partido. Após a captura do personagem principal, entretanto, seu tutor transforma-se em algoz na sala de tortura. Já aquele, é o responsável por dar movimento ao programa, conduzindo os participantes durante as provas, fazendo comentários maliciosos sobre eventos ocorridos entre os jogadores, apresentando as eliminações, ou simplesmente “jogando conversa fora”. Assim, tanto este quanto aquele, são a conexão entre os dois mundos: Partido e Fraternidade; vida real e reality show.

A função de Grande Irmão resta a Boninho: figura onisciente que nunca é vista, tem o controle sobre a entrada e saída de jogadores, suas atividades, mordomias, temas que podem ser discutidos, e o principal: a seleção de cenas que devem ser exibidos às grandes massas, favorecendo determinados interesses da emissora.

Para Umberto Eco, estes interesses têm um motivo:

Os mass media, colocados dentro de um circuito comercial, estão sujeitos à “lei da oferta e da procura”. Dão ao público, portanto, somente o que ele quer, ou, o que é pior, seguindo as leis de uma economia baseada no consumo e sustentada pela ação persuasiva da publicidade, sugerem ao público o que este deve desejar. (ECO, 1998, p. 40-41)

Com o merchandising de grandes anunciantes, os jogadores são feitos de marionetes em favor das marcas, alienando, mais uma vez, sua Liberdade. Em uma clara aplicação do dito popular “pagando bem, que mal tem?”, mesmo os participantes que não chegam nem à disputa final pelo prêmio máximo, podem ganhar – mediante o aluguel de sua disposição física, intelectual e moral durante as provas semanais – prêmios como carros e eletrodomésticos.

Na época de Homero, a humanidade oferecia-se em espetáculo aos deuses olímpicos; agora, ela se transforma em espetáculo para si mesma. Sua auto-alienação atingiu o ponto que lhe permite viver sua própria destruição como um prazer estético de primeira ordem. (BENJAMIN, 1994, p.196)

Ao sair do programa, vencedores ou não, os participantes são automaticamente rotulados como “ex-BBB”, e têm início sua rotina de estrela-cadente. “Não há nada tão transitório como o entretenimento e a beleza física, e os ídolos que os simbolizam são igualmente efêmeros” (KLIMA apud BAUMAN, 2003, p.65). Estas celebridades instantâneas lutam para manter a fama conquistada nos três meses de exibição que lhes foi dado em rede nacional: aparecem em eventos de natureza sortida, podendo ir de aniversários infantis a estréias de peças teatrais.

Embora os homens não tenham apresentado um padrão de atividades pós-BBB, em geral as mulheres seguem um caminho quase natural: posam para revistas masculinas, e iniciam sua carreira “artística” como figurantes em programas de humor com qualidade duvidosa, podendo, em raras exceções, estender-se às novelas.

Nada mais justo para os telespectadores, que após tamanha artilharia de desinformação, lhes seja dado a paz intelectual, enterrando os símbolos deste infâmio mercado de futilidades televisionadas em um lugar de onde nunca deveriam ter saído: o anonimato.

O programa, embora os sérios problemas citados aqui, está atualmente em sua nona versão, e não mostra sinais de que seja a última. A exibição televisiva de personagens e hábitos que os produtores pretendem que seja a predominante brasileira, entretém uma população que em 2000, era formada por um quarto de analfabetos funcionais – índice, este, que lhe garantiu o título de “país de não-leitores” pelo jornal americano The Economist. Em um país com índice de leitura tão baixo, é pífia a porcentagem que assiste ao Big Brother e conheceu sua obra inspiradora.

Assim, seus produtores ganharam: esvaziaram uma obra de arte crítica e contestadora para gerar entretenimento aliviador de tensões, com grande retorno para o Capital. Os consumidores – e a sociedade de uma forma geral – perderam: receberam um produto espelhado na realidade já conhecida, livre de qualquer caráter contestador, e sem a possibilidade de projeção para um futuro melhor (CHAUI, 2006, p.28). Ganha quem produz, perde quem consome.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ADORNO, Theodor W. - A indústria Cultural, in COHN, Gabriel, Comunicação e Indústria Cultura, 5ª. ed., São Paulo: T.A. Queiroz Editor, 1987.

ADORNO, Theodor W. / HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento: Fragmentos Filosóficos. Tradução de Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985.

BAUMAN, Zygmunt. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Tradução de P. Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.

BENJAMIN, W. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica (primeira versão) in Magia e Técnica, Arte e Política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Obras Escolhidas, volume II. São Paulo: Brasiliense, 1994.

CHAUÍ, Marilena. Simulacro e poder, uma analise da mídia. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2006.

ECO, Umberto. Apocalípticos e Integrados. São Paulo: Perspectiva, 1998.

FREITAG, Bárbara. A Teoria Crítica Ontem e Hoje. São Paulo: Brasiliense, 1994.

MARCUSE, Herbert. A arte na sociedade unidimensional, in ADORNO, Theodor W. (et al.). Teoria da Cultura de Massa. Introdução, Comentários e Seleção de Luiz Costa Lima. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

ORWELL, G. 1984. Tradução de Wilson Velloso, 29ª. ed. São Paulo: Ed. Nacional, 2005.

SANTAELLA, Lucia. Culturas e artes do pós-humano. Da cultura das mídias à cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003.

WOLTON, Dominique. Internet, e depois? Uma teoria crítica das novas mídias. Porto Alegre: Sulina, 2003.

REFERÊNCIAS DIGITAIS

ECONOMIST, The. Brazil’s disregard for books, 2006. Disponível em: <http://www.economist.com/displayStory.cfm?Story_ID=E1_VGPGPGJ>. Acesso em: 13 jun. 2009.

ÉPOCA, Revista. Curiosidade real, 2002. Disponível em: <http://epoca.globo.com/edic/20020318/entrevista.htm>. Acesso em: 13 jun. 2009.

Este texto foi originalmente produzido para a matéria de Teoria da Comunicação II da Universidade Federal do Paraná, sob orientação do Prof. Mário Messagi Júnior.

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Sobre a Liberdade

Certa vez, Jean-Jacques Rousseau disse que “O homem nasceu livre e em toda parte é posto a ferros. Quem se julga o senhor dos outros não deixa de ser tão escravo quanto eles.” Sendo assim, o que é a Liberdade? O dicionário descreve como “Possibilidade de agir conforme a própria vontade, mas dentro dos limites da lei e das normas racionais socialmente aceitas”, e aí entramos no mérito dos TIPOS de liberdade, estudadas por Erich Fromm.  Antes, porém, vale retomar o filósofo francês para entender onde começa a liberdade:

“A mais antiga de todas as sociedades e a única natural é a da família. Mesmo assim, os filhos só estão ligados ao pai enquanto precisam dele para sobreviver. Tão logo cessa tal necessidade, esse vínculo natural se dissolve. Os filhos, isentos da obediência que devem ao pai, o pai, isento dos cuidados que deve aos filhos, voltam a ser igualmente independentes. Se continuam unidos, não é mais naturalmente, é voluntariamente, e a própria família só se mantém por convenção.[...] Portanto, a família é, se quiserem, o primeiro modelo de sociedades políticas; o chefe é a imagem do pai, o povo, a imagem dos filhos, e todos, tendo nascido iguais e livres, só alienam sua liberdade em proveito próprio. A diferença é que, na família, o amor dos pais pelos filhos vale pelos cuidados que dispensa a eles, enquanto, no Estado, o prazer de comandar substitui esse amor, que o chefe não tem por seu povo.” (O Contrato Social, p24)

Em seu estudo, Erich Fromm ignora as famílias e trata a liberdade em relação aos fatores biológicos e à sociedade (uma mistura de Freud e Marx, suas principais influências), chegando a considerá-la um “fardo demasiadamente pesado de se carregar”, levando os individuos a alienarem seu direito natural à liberdade.

O texto abaixo é a tradução de um artigo que analisa a teoria de Fromm no livro Escape from Freedom. Espero que gostem.

A busca pela liberdade

“[...] liberdade tem um duplo sentido para o homem moderno: ele foi libertado das autoridades tradicionais e se tornou um ‘indivíduo’, mas ao mesmo tempo se tornou isolado, impotente e um instrumento de propósitos fora dele, alienado de si mesmo e dos outros. Além disso, este estado corrói, enfraquece, assusta e o prepara para a submissão a novos tipos de ataduras. Liberdade Positiva, por outro lado, é idêntica com a plena realização das potencialidades do indivíduo, junto com sua habilidade de viver ativa e espontaneamente.”

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Sobre o Voto

Semestre passado fiz um trabalho sobre eleições para a faculdade. A proposta inicial era criar uma campanha para algum dos candidatos à Prefeitura de Curitiba, e o produto teórico falando sobre o histórico do candidato. Um dos livros obrigatórios era o “Cartas a um jovem publicitário”, do Dualibi, que em certa parte diz:

“em campanhas eleitorais, por exemplo, só se deve trabalhar para candidatos ou partidos nos quais acreditamos sinceramente.”

Ok sr. Dualibi, e se eu não acredito em nenhum deles, o que faço? Crio uma campanha para o Voto Nulo =D. Esta opção me parecia perfeita na época, pois não entregaria meu voto ao candidato que parecesse simplesmente ser o menos pior [curioso o Word assinalar as palavras “menos pior” e sugerir “melhor”. É justamente isto que não existe, que motivaria alguém a anular seu voto: a ausência de um “melhor”].

Profundamente inspirado após ler o “Ensaio sobre a Lucidez” do Saramago, o trabalho ficou bem bacana, e fiquei satisfeito com o resultado. Um dos vídeos que criei para a campanha, inclusive, teve bastante visualização no YouTube:

Com a finalização do trabalho, entretanto, vieram outras dúvidas, mas desta vez de cunho moral. Durante o processo, entrevistei o Marden Machado,  assessor de imprensa do TRE-PR, que ao ser indagado sobre a relevância do voto nulo como protesto, mudou todo o sentido da minha pesquisa:

“Escolher melhor o candidato e procurar votar melhor me parece uma forma mais inteligente de protesto, porque se você anula seu voto você terminará permitindo que os candidatos ruins sejam eleitos.”

E como se “vota melhor”? Não basta somente saber quem você não quer, porque se seus “filtros” forem muito exigentes, a única opção acaba sendo realmente o Voto Nulo. Além do mais, sofremos de um problema que Renato Ribeiro aponta em seu site:

“Eu diria que o sufrágio para presidente, governador e prefeito é um voto mais convicto.”

É verdade. Em geral, as pessoas têm certeza de quem receberá seu voto para prefeito, mas dúvidas para o vereador. Para ajudar na escolha, vamos por partes.

Qual é a função do vereador?

Primeiro é importante esclarecer isto. Ouço muita gente (em especial os mais desinformados) falando “Vou votar na Maria Ciclana, que é a vereadora do nosso bairro”. Calmaê cara pálida! Não confunda baú com bunda.

O vereador é o representante político na Câmara Municipal, e basicamente suas funções são:

  • Legislar em favor do município
  • Licitar obras municipais
  • Fiscalizar as contas do Poder Executivo
  • Trabalhar pouco e ganhar muita grana todo mês

Isto significa que se atualmente as empresas de transporte público fazem a festa em Curitiba porque não houve licitação, a culpa é, em grande parte, dos 38 vereadores que ocupam lugar na Câmara Municipal. Significa que se Curitiba precisa de novas Leis que regulamentem as multas de trânsito, é porque os vereadores estão com tempo demais para férias e de menos para trabalho. Viu? Ele ser “do seu bairro” ou não, não faz muita diferença.

Então, como escolher um vereador?

Sem querer parecer o dono da verdade, listei os pontos que podem ajudar a, pelo menos, excluir os piores candidatos:

  • Esquecer o horário político. A fórmula “Nome do candidato + Número + [com sorte] Frase de efeito” é uma adaptação das tabelas nutricionais em embalagens de alimentos: só gente com problemas consegue levar aquilo a sério.
  • Não votar em padres/pastores/pais de santo/reverendos/bispos/coroinhas ou qualquer candidato que use Deus como cabo eleitoral.
  • Não votar em pessoas simplesmente porque são suas amigas. Não confunda as coisas: ele é seu amigo, faz bem para VOCÊ. Isto não significa que fará bem para a NOSSA cidade.
  • O Zé da Pipoca faz uma ótima pipoca doce, não é mesmo? Então vamos deixá-lo cuidando de seu carrinho, e escolher alguém preparado para o cargo Legislativo.
  • Eliminar candidatos com problemas com a Justiça, nem que seja “só” por propaganda irregular. Lembra que o trabalho dele é CRIAR Leis? Alguém que as DESOBEDEÇA antes mesmo de entrar, não deveria nem mesmo aparecer nas opções.
  • Pensar no meio ambiente.

Estamos a 2 dias da Eleição Municipal, e eu ainda não escolhi quem receberá meu voto. Isto porque das centenas de postulantes aos cargos públicos, nenhum supriu inteiramente os itens acima.

E você, já decidiu em quem vai votar? Quais parâmetros usou para tomar a decisão? Faça a sua lista =D

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How to be a [really] good client

Recebi há alguns dias de um amigo, mas não sei quem fez.

Todos os clientes deveriam um deste na hora de assinar o contrato! Assim a nossa vida seria bem mais legal =D

Veja a imagem logo após o break. [me senti o Luciano Huck dizendo isto! Loucura loucura loucura. xD]

How to be a really good client

How to be a really good client

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Ensaio sobre a cegueira

Das poucas vezes em que me emocionei assistindo a um filme, nenhuma foi tão sincera como hoje à noite, com a versão de “Ensaio sobre a cegueira” feita por Fernando Meirelles. Se você ainda não assistiu/leu o livro e pretende fazê-lo, talvez goste de saber que este post conterá spoillers.
Fui assistir com o Rafael Budni, e enquanto combinávamos o horário para chegar ao cinema, mandei a frase “não vai ter milhões de pessoas esperando pra assistir”, mas eu não imaginava o quão certo estaria sobre isto.

Entramos na sala, e o vazio das cadeiras vermelhas do Cinemark só não era mais estranho do que a playlist de espera. Aguardamos por cinco minutos com apenas mais duas pessoas na sala, até que o resto (não mais do que 20 pessoas) começou a entrar.

Nos traillers,  notei duas coisas estranhas: 4 propagandas de carros, e 2 traillers de filmes brasileiros (à moda clássica [leia-se: escrotos ]).

Enfim o filme começou, e embora eu não lembrasse, foi igual ao livro (cheguei em casa e fui conferir): plano fechado no sinaleiro, que muda as cores até a luz verde acender e o carro do primeiro cego não se mover. Aqui se percebe outra coisa: a mão de brasileiros. O carro do primeiro cego é um Punto, da Fiat, que junto com a C&A e algum Projeto de Incentivo à Cultura, apóiam o filme. Assim sendo, as placas de todos os carros são brasileiros, e pelo que percebi, começando com a letra Z. Confesso que foi bem agradável ver isto, “me sentir em casa” e tal =D

Update: Vi no Brainstorm9 que não se trata do Punto, e sim do Linea, lançamento da Fiat.

Nesta hora, tive uma surpresa não muito agradável: o ator do primeiro cego é japonês! Na hora isto me soou muito errado, e só fui entender o motivo mais pra frente, na hora em que sua esposa vai junto com as outras mulheres “buscar” a comida. Então o perfil do personagem se encaixou perfeitamente em um nipônico.

O filme continua, e as atuações são impecáveis. A direção de arte é ótima, e a de fotografia espetacular. Não que eu seja um expert nestas áreas e saiba como analisá-las profundamente, mas o resultado dos dois foi algo que me agradou deveras, e fez com que eu agradecesse por não estar cego e poder estar ali, vendo materializado tudo aquilo que eu havia imaginado.

Lembro-me de quando estava lendo o livro, e por várias vezes tentei imaginar, sem muito sucesso, como seria ver tudo branco. Olhava para a parede branca, mas ainda sim tinha todo o resto ao redor, então o máximo que eu consegui imaginar foi a cena em que o Morpheus fala para o Neo que as pessoas viraram uma pilha de Duracell, em “Matrix”. Em “Blindness”, entretanto, isto ficou perfeito. Fernando Meirelles consegue fazer com que você se sinta dentro do “mar de leite” criado por Saramago, faz com que a “treva branca” seja terrivelmente real, enquanto o lado animal do homem ganha uma face sem nome.

A Super Interessante deste mês fez um dispensável comentário sob o título “O Bom Ruim”, dizendo que “com seu ritmo arrastado, não chega perto do original de Saramago.”. É verdade, não chega nem perto, mas dizer isto de uma adaptação de livro é clichê demais até para a Veja. Tenho que admitir, porém, que a uma certa altura do filme fiquei com medo disto ser verdade. Se não me engano, até a parte em que o velho da venda preta aparece. Personagem este, que eu gostei bastante, independente da versão. Então ele vem e diz algo como “talvez esteja na hora de uma musiquinha mesmo”, liga o seu radinho de pilha, que toca uma música totalmente inesperada, provocando uma sensação extremamente sincera e pura. O filme toma novo ritmo, e desenrola o romance sem interferir negativamente na obra. Muito pelo contrário.

As cenas em que as mulheres caminham em direção à Ala 3, onde serão estupradas em troca de comida, é tão arrematadora quanto a que a mulher do médico conta ao “cego original” que a “peixe morto” está morta. O silêncio do cego, sua face estupefata, seus olhos perdidos em alguma cor que não se sabe, quase fazem você acreditar que tenha lhe sobrado um resquício de moralidade. Cego engano, com o perdão do trocadilho.

Ao saírem do manicômio, a primeira impressão é que as filmagens continuam em São Paulo, com os metrôs e a amontoada paisagem urbana. Dois passos à frente, não mais. Um pouco adiante, isto fica confuso, num contraste com as placas de STOP e as placas de carro modelo ZZZ 9999 (coisa que também acontece no início do filme nos carros de POLICE e TAXI CAB), além de uma C&A ao lado de uma espécie de panificadora de nome francês. Lendo o Diário de Blindness, me parece que esta cena foi feita no Uruguai. Coisas que os americanos abestalhados não notariam, mas que para brasileiros pode soar confuso.

O final do filme eu me recuso a escrever, mas vale saber que é espetacular. Novamente com uma fala do velho da venda preta fazendo a diferença, e Meirelles adicionando ainda mais arte à obra.

“Ensaio sobre a Cegueira” deixou de ser apenas um dos meus livros favoritos, e passou a ser uma das coisas que me faz ter orgulho da época em que vivo. O fato de ser escrito por um português e dirigido por um brasileiro só aumenta a minha satisfação.

Só o que posso dizer, é “Fernando, estou tão feliz por ter visto este filme, como estava quando acabei de ler o livro.”.
Não entendeu? Veja o vídeo:

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Sobre Posts Patrocinados

Com o boom dos blogs, era natural surgir o interesse dos anunciantes por esta “nova mídia”. Logo os blogueiros, que já utilizavam o pão duro AdSense do Google, começaram a fazer posts patrocinados. Aí surgiu um monte de discussão.

Neste ano, o Código de Defesa do Consumidor da Terra do Chá das Cinco Reino Unido começou a abranger também as campanhas online, incluindo vídeos virais, redes sociais, e a estrela deste texto: posts patricinados.

No Brasil esta iniciativa está longe de ser verdade, devido principalmente à ignorância digital da maioria dos legisladores. Enquanto isso, vão surgindo auto-regulamentações, leis de senso comum, e cartilhas criadas pelos próprios blogs, que visam antes de qualquer coisa, a transparência aos leitores.

O blog brasileiro especializado em propaganda, Brainstorm #9, por exemplo, criou um post falando sobre como seus posts patrocinados poderiam ser identificados, e qual posicionamento o autor teria ao receber proposta para este tipo de publicação.

Recentemente, e foi o que me motivou a vir escrever, o cartunista André Dahmer, conhecido pela série de quadrinhos “Os Malvados”, escreveu em seu blog o “Código de Conduta Para Escrever Um Post Pago”, que orienta como fazer isto de forma ética para com os leitores, afinal, “Não é feio ganhar dinheiro. Feio é o dinheiro ganhar você”.

Numa mídia que, exceto em raros casos, pode ser considerada “terra sem lei”, é muito bom ver atitudes como estas, que além de irem de encontro com o respeito ao novo consumidor, demonstram que a democracia vivida na internet está um passo à frente dos modelos publicitários dos outros meios.

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